Happy birthday Marilyn!

Infância, lembro que sempre dizia “eu quero crescer logo”. E agora, que cresci, tenho tantas responsabilidades, tenho problemas que ocupam a minha mente, sofro por desilusões. Só quero poder voltar a um tempo onde nada disso existia. Voltar a ficar ansiosa pela chegada do Coelhinho da Páscoa, e ficar acordada toda a noite, só para tentar ver ele deixando os ovos de chocolate. Voltar a acreditar que, na noite de 25 de dezembro, um bom velhinho viaja por todo o mundo para dar presentes para todos aqueles que são bons de coração, e a única desilusão a sofrer seria ganhar uma roupa de aniversário ao invés de um brinquedo. Saudades de quando brincar de bonecas era divertido, de quando ficava na rua até tarde brincando com meus amigos. Saudades de um tempo que não volta mais. Saudades de quando meu pior medo era o tal “homem do saco preto“ que minha mãe sempre dizia. Ou o bicho papão que meu irmão mais velho dizia ter em baixo de minha cama. Saudades de quando meu maior desejo, era apenas me tornar uma princesa, igual aquelas dos contos de fadas da Disney, que via antes de dormir. E agora, se for parar para ver qual o meu maior desejo, juro que diria que é ter apenas um pouco de paz, tranquilidade, em uma rua isolada, sem nada, principalmente, sem amor. Tenho uma maior saudade ainda, de quando achava que a pior dor do mundo, era a do meu joelho ralado. Ah, tola eu. Uma das piores dores que já enfrentei até hoje, foi a do tão inesperado coração partido. Dor que não desejo nem a meu pior inimigo. Inexplicavelmente como eu era tola. Era feliz, e ainda queixava-me somente por ter sem querer, rasgado a roupa da minha Barbie preferida. Ingênua era eu, por acreditar que quando crescesse seria muito feliz. Acreditar que o mundo, era um lugar feliz de se viver, e de que encontraria meu amor na primeira avenida que cruzasse, e daí seriamos felizes para sempre. Hoje eu vejo que era tudo enganação, fantasias como aquelas que eu tinha ao brincar com minhas bonecas e acreditar que elas realmente me faziam sorrir sem fazer nada. Sinto tanta falta do tempo em que todo mundo que estava comigo numa sala de aula eram realmente amigos, sinto falta de repartir meu lanche com alguém e de sujar a roupa de tinta de todas as cores que eu pudesse fazer, sinto falta das histórias que minha mãe lia pra mim, dos ditados que ela sempre me contava e que eu nunca procurava entender o por que de “você ainda vai querer voltar a ser criança”, hoje eu vejo que a boba fui eu, de acreditar que esses não eram os melhores tempos de minha vida, quando na verdade eram. Agora eu só preciso me esconder de todos em meu quarto quando lágrimas inesperadas surgem por um garoto idiota, me lembro quando era menor e queria matá-los por roubar um de meus brinquedos, agora sei por que meus pais sempre diziam pra ficar longe deles. Crianças antigamente não tinham maldade, eram um doce em forma de gente, já hoje elas também tem que conhecer a maldade do mundo e eu estou sofrendo com uma dessas maldades. Ah como eu queria minha infância de volta, que se foi pra nunca mais voltar… — Gabi, Ana Laura e Stéfanny (poetizadas)